Um breve relato do ínicio da crítica

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Escola Jônica

A Escola Jônica é a primeira do período naturalista, o primeiro problema filosófico enfrentado pela mesma foi saber qual é a origem, o princípio, qual a substância primordial (a arché, em grego) de tudo que existe. Pela primeira vez o homem busca explicação da natureza dentro da natureza. Este comportamento leva ao abandono das explicações mitológicas que eram dadas anteriormente ao surgimento da filosofia, aquilo que alguns historiadores costumam chamar de “milagre grego”, ou seja, a passagem do saber mítico para o pensamento racional, filosófico. Os pensadores jônicos podem ser vistos como precursores da ciência moderna e que não há razão para duvidar que Tales foi o primeiro ser humano a merecer legitimamente ser considerado um cientista. Seus pensadores são Tales de Mileto, Anaximandro de Mileto, Anaxímenes de Mileto e Heráclito de Éfeso.

Tales de Mileto: primeiro filósofo, primeiro a deixar de lado o pensamento mítico para formular um pensamento baseado na razão (Logos). Acreditava que tudo se originava da água: quando denso se transformaria em terra, quando aquecida se tornaria vapor e após resfriar retornaria ao estado líquido, garantindo a continuidade do ciclo.

Anaximandro de Mileto: a origem de todas as coisas não seria os elementos ar, água, terra e fogo e sim o Ápeiron, que seria a origem de toda matéria (arché). Etimologicamente significava a junção de “a” com “pêra” (borda, limite) que quer dizer sem limites. Tem duas características principais: infinito e indeterminado. Infinito por ser fonte de energia para que o mundo não cesse a geração e o declínio. E indeterminado por não ser nenhum dos elementos (água, ar, terra e fogo).

Tinha ainda como idéia o Cosmos, traduzido por mundo e por natureza, sendo criado pelo Ápeiron, sendo que o fim do Cosmos tem que dar origem a outros mundos. Tem ainda o significado de algo ordenado, em que há ordem.

Anaxímenes de Mileto: sua filosofia é como uma síntese de Tales e Anaximandro, aceitando um único elemento como originador de todas as coisas (o ar), mas tão infinito quanto o Ápeiron de Anaximandro, apesar de determinado. Para ele o ar é infinito e envolve todo o Cosmos.

Heráclito de Éfeso: adota o logos como princípio cósmico, é chamado de obscuro por ser confuso, considera que o bem e o mal são necessários ao todo e que Deus se manifesta na natureza, abrangendo o todo e sendo crivado de opostos. O princípio de todas é o fogo e o que temos diante de nós em dado momento é diferente do que foi há pouco e do que será depois.

Doutrina do Panta Rhei = tudo escorre, tudo se move, nada é imóvel ou fixo, tudo está em constante mudança e alteração. Um homem jamais se banhará duas vezes no mesmo rio, porque na segunda vez nem o rio, nem o homem serão os mesmos.

Harmonia dos contrários = Uma coisa que está fria tende a se aquecer, as quentes tendem a esfriar, o úmido tende a secar, o jovem envelhece, o vivo morre e o morto tende a renascer.
Pitagóricos

Nas escolas de Pitágoras entrava-se para ser filósofo e estudar em busca da sabedoria pelo resto da vida. As escolas eram rigorosas, selecionavam os candidatos a serem admitidos e durante os primeiros anos os alunos eram obrigados ao silêncio completo apenas ouvindo e meditando na doutrina exposta pelos professores. Havia a obrigação de observar o celibato e depois de alguns anos todos os participantes da escola colocavam os seus bens em comum.

O princípio para os pitagóricos são os números, diferentemente dos Jônicos. “Os números são o princípio, a fonte e a raiz de todas as coisas”. Tanto o físico quanto o abstrato são explicados pelo número. A harmonia encontrada na música é como a ordem encontrada no Cosmos. Tudo que pode ser compreendido é número. O número é Deus. Os números eram iguais à matéria. O número 1 era um ponto; o número 2 era uma reta; o número 3 era uma superfície e o número 4 era uma figura geométrica. 1, 2, 3 e 4 construíam e geravam tudo, sendo que a soma deles, o número 10, era perfeito.
Eles chamavam o número ímpar de limitado e perfeito e o número par de ilimitado e menos perfeito.
Eleatas

Defendiam a unicidade estática de tudo o que existe, um Uno eterno e imutável. Imutabilidade do ser, quando explicam que “só o ser é não pode não ser”.

Se para Heráclito tudo flui, para os Eleatas tudo permanece.

Parmênides: é a grande referência da Escola Eleática, pois seus pensamentos são continuados por seus discípulos. Ele propôs que tudo o que existe é eterno, imutável, indestrutível, indivisível e, portanto, imóvel. O ser não tem começo e nem fim, sendo eterno.

Xenófanes: propôs que o único princípio e ser de todas as coisas é uma unidade, um inteiro; essa unidade não pode ser qualificada, pois qualquer qualificação excluiria seu contrário, o que tornaria a unidade incompleta, e, consequentemente, menor que um, menos que o inteiro. Então, a unidade não pode ser limitada nem ilimitada, nem móvel nem estática.

Zenão: criou cerca de 40 paradoxos contra a multiplicidade, a divisibilidade e o movimento. O mais conhecido é o paradoxo “Aquiles e a tartaruga”. Mesmo sendo um rápido corredor Aquiles jamais alcançará a tartaruga já que ela terá sempre percorrido um espaço á sua frente.

Melisso de Samos: acreditava que o ser não pode ter forma, não é composto de partes e se apresenta infinito no espaço e no tempo, sendo sempre idêntico a si mesmo. Se o ser tivesse uma forma ele teria que ser limitado, pois a forma tem limites e o ser não pode ter limites.

Físicos Pluralistas e Físicos Ecléticos

Empédocles: seguia a linha de pensamento dos Eleatas quando coloca que é impossível a existência do “nascer” como uma transição do não ser para ser, e o “morrer” como uma passagem do ser para o não ser.

Entretanto sua saída como explicação é diferente, pois o que chamamos de nascimento e morte vai ser explicado por ele como a mistura e a dissolução dos elementos ar, água, terra e fogo, que ele chama de as “raízes de todas as coisas”.

Além disso, Empédocles acredita que o misturar e dissolver desses elementos se determina pela interferência das forças cósmicas do Amor (ou amizade) e do Ódio (ou da discórdia). A primeira atrai e a segunda dissolve.

Nesse panorama a formação do Caos depende tanto do ódio quanto do amor.

Anaxágoras: fala que o nascimento e a morte dependem da agregação ou desagregação das “sementes” (homeomerias) que são movidas por uma inteligência cósmica (nous).

Leucipo e Demócrito: trazem um grande benefício para a filosofia e a ciência com a descoberta do átomo. O ser é pleno e o não ser é vazio. Para eles o ser não nasce não morre e não entra no devir (via a ser), mas aderem à realidade sensível, isto é, os átomos.

Diógenes e Arquelau: físicos ecléticos, criticam os pluralistas e retornam ao monismo (unitarismo de Tales de Mileto). Combinam as teses de Anaxímenes com a de Diógenes, afirmando que o princípio de todas as coisas é o ar-inteligência.

Fontes:

http://templodeapolo.net/civilizacoes/grecia/filosofia/presocraticos/filosofia_presocraticos_jonios.html

http://faculdadedehistoria.blogspot.com.br/2011/05/da-escola-jonica-aristoteles.html

A Escola Eleata

http://www.minerva.uevora.pt/publicar/pitagoras/escolapitagorica.htm

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